sexta-feira, 20 de março de 2026

SOBRE CORNOS E PORTEIRAS ABERTAS

 

Boanerges Cezário*

 

O tempo passou como tem de passar e sei que um dia desses me aposentei.

A princípio, os choques.

Amizades tipo folha somem, algumas poucas de verdade ficam.

Mas la nave va e eu terminei voltando a cuidar do sítio dos meus pais, numa tentativa de ficar mais perto da natureza, fugindo um pouco da poluição, barulho de carros, de gente mal  educada e otras cositas más

Num sítio, ao lado do que cuido, mora um filósofo conhecido na região do agreste potiguar, chamado Zé Bidu.

Ele é muito experiente e daqui para frente será meu vizinho até que a última chamada aconteça.

Sempre pergunto coisas a ele e há pouco tempo perguntei como ele enfrentava a tormentosa luta de porteiras abertas, pois o pessoal utiliza a permissão de passagem, mas não colabora, deixando-as abertas .

Hoje pela manhã, ele chegou no alpendre e me disse

 Assim:

_ compadre, acho que achei uma solução para que o pessoal abra e feche as porteiras

Fiquei curioso e perguntei:

- Pois me diga essa novidade, quero importar ela para cá, pois está ficando insuportável, até porque o gado solto  pegando porteira aberta vai longe...

Ele falou assim:

_ tudo que você precisa fazer é uma placa para quem passa ler e lembrar de fechar quando abrir a porteira...

 

Então falei: _ Zé, já tenho uma placa dessa, onde escrevi MANTENHA A PORTEIRA FECHADA!

Ele disse: _ eis o problema, o aviso está errado e assim eles nunca irão respeitar,   pois os que sabem ler são mal educados.

Curioso como sempre, perguntei: _ como seria o aviso ideal da placa para a porteira?

Ele pegou o boné, acendeu o velho cigarro de palha e ditou o aviso:

 

SE VOCÊ É CORNO, DEIXE A PORTEIRA ABERTA

 

Indaguei ainda dele perguntando se havia muito corno na região, ele respondeu assim:

 

_ disso não sei, mas quem for não deixará a porteira aberta para ninguém desconfiar, já quem não for, também vai fechar para não correr perigo da praga do aviso pegar.

E assim, o octogenário filósofo saiu devagar e rindo muito...

 

Moral da Estória: a regra é clara, Arnaldo, se encontrar porteira aberta, deixe aberta, se encontrar fechada, deixe fechada.


Cronista*