A tecnologia é um dos fenômenos que crescem diretamente
proporcional ao desenvolvimento do homem ou da burrice também, dependendo do
ponto de vista que se observa a coisa.
Mas hoje vou puxar pela memória, era o ano de 1978 e eu
residia no Tirol, morava num quarteirão perto ali da vila militar.
Era um tempo engraçado, a economia tinha muita coisa estatal
e a telefonia era uma delas.
Meu pai era um cara muito visionário e antes de comprar um
carro, comprou um telefone, caríssimo e raro na época. Telefone era um negócio
que a gente costumava ver nas novelas ou na casa dos “ricos”.
Lembro que no quarteirão todo mundo possuía carro, mas não
tinha telefone e a gente tinha telefone, mas não tinha carro ou um ou outro...
Acontece que todo mundo pedia um favorzinho para ligar, às
vezes tinha até fila no jardim para fazer uma chamadinha...
Às vezes também a gente recebia recados pra chamar alguém,
deixar mensagem, era um furdunço e tudo isso grátis, a conta inclusive vinha
alta com os famosos pulsos em excesso, mas ninguém ajudava a pagar...
Certa vez, uma “cliente” nova apareceu, já apresentada por
outra, para fazer uma ligação para “um amigo”. Antes dela chegar, a própria
amiga que a apresentara avisou que não facilitasse a ligação, pois “se o marido
dela descobrisse ia dar confusão”.
Minha mãe, diante da tenebrosa conversa, resolveu indeferir
o pedido da nova vizinha que pedia uma ligação. Mamãe, muito esperta, disse que
o telefone estava com defeito...
Depois de algum
tempo, minha mãe perguntou à amiga da referida moça que apareceu para ligar
sobre qual o motivo dela pedir para
telefonar lá na nossa casa, tendo em vista que na casa dela tinha telefone, ou
seja, de 96 casas do quarteirão só duas casas possuíam telefone, a nossa e a
casa dessa referida jovem, que apareceu para ligar, para um amigo, do telefone
lá de casa.
A vizinha riu e disse:
_ é que o marido dela descobriu que ela ligava para o amante
e colocou um cadeado no telefone para ela não discar mais, ou seja, o telefone tinha
um discador que com o cadeado ninguém conseguia ligar...
Então minha mãe e a vizinha denunciante da bronca caíram na gargalhada e ali se evitou,
talvez, um grande problema tipo um
feminicídio ou um divórcio...
Hoje fico pensando que com as redes sociais, celulares sem
cadeados e cada um com seu aparelho celular como fica essa vigilância, hein?
Moral da Estória: a culpa do aumento da cornagem e chifragem em geral foi por causa da privatização
da Telebras, pois com telefones antigos bastava um cadeado para resolver o problema...ou não?!
Humorista*