sábado, 3 de janeiro de 2026

O ABUSO DE NÃO AUTORIDADES


Boanerges Cezário*

Uma coisa é certa, o mundo atual é cheio de NÃO AUTORIDADES que abusam do sossego dos outros...

Era um sábado como qualquer outro, que logo após fazer a feira, muita gente almoça para depois descansar um pouco. O famoso cochilo aqui no Brasil ou siesta para os espanhois.

Eis que naquele sábado , fui sorteado por um senhor, certamente apaixonado, que resolveu parar na lanchonete em frente à minha casa e ouvir músicas de forma espalhafatosa, maior som na maior altura.

Então, cochilo cancelado. 

Tentei ainda assistir ao jornal...impossível, não se ouvia mais nada dentro de casa.

Pensei o que deveria fazer...


Chamar polícia? Não

Falar com  a NÃO AUTORIDADE? Nada, ele estava bebendo, poderia reagir

Falar com o dono da lanchonete? Nem pensar, pois no máximo enredaria à NÃO AUTORIDADE, que eu estava reclamando...


Notei que eu estava diante de uma NÃO AUTORIDADE, e como tem hoje em dia...

Arrisco até que os abusos de NÃO AUTORIDADES são mais frequentes que os de autoridades, pois essas de tão vigiadas estão se adequando e até há controles diversos sobre elas. Enfim, as autoridades estão sob controle, mas as NÃO AUTORIDADES estão boiando, sobrando e ai daquele que for apenas pedir para conter os abusos.

Possível até que a sociedade dos clicks, ou do espetáculo como fala Guy Debord, fique do lado das NÃO AUTORIDADES


Moral da história: já dizia Nelson Rodrigues "os idiotas um dia dominarão o mundo, não porque são melhores, mas porque são muitos"...ou não!?


Cronista*

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

FELIZ ANO NOVO (OU PARE DE MANDAR MENSAGEM PARA MIM)


Boanerges Cezário*

 

“Meu (minha) Caro(a) amigo(a) me perdoe, por favor”...

Por que você me mandou mensagem de feliz Natal e ano novo?

Passou o ano enchendo meu saco, mas ...

Por que você me mandou mensagem de Feliz Natal e ano novo?

Passou o ano mandando propaganda do seu candidato a presidente, que pode ser o melhor,

 mas sabe que não voto nele e nunca pedi pra você votar no meu, mas ...

Por que você me mandou mensagem de Feliz Natal e ano novo?

Sabe que não tenho religião, mas manda coisas da sua pra mim, no privado, textos, frases etc, mas...

Por que você me mandou mensagem de Feliz Natal e ano novo?

Envia bom dia, boa tarde, boa noite, sem nem me conhecer direito, mas...

Por que você me mandou mensagem de Feliz Natal e ano novo?

Sei que não gosta de mim, pois me acha chato, mas ...

Por que você me mandou mensagem de Feliz Natal e ano novo?

Sabe que converso muito, mas responde whatsapp com um sim ou não, sinal de que não gosta de conversas, mas...se não gosta de conversas...

Por que você me mandou mensagem de Feliz Natal e ano novo?

Então, vamos combinar, não envie mais mensagem, alías reflita antes de enviar qualquer mensagem pra mim, converso muito, mas com quem não é de conversa e está inserto num dos itens acima, melhor nem dirigir mais mensagem pra mim...

Mas claro se voltar a ser gente, quiser me fazer uma visita, me convidar pra ir na sua casa, parar de digitar conversa ou conversar por digitação, evite, crie um avatar e converse com ele, pois é dele, que é você, que você gosta mais. Ah! e não atrapalhe o tempo dos outros que você nunca mais quis ver por algum motivo importante ou não para você.

Se era importante pra você parar de falar, evite falar 100%, se não era importante, melhor ainda, cá entre nós, se não somos importante um para o outro, então...


Então, enfim,  por que você me mandou mensagem de Feliz Natal e ano novo?

Moral da história: evite mandar mensagem para quem não está na sua alça de simpatia ou não lhe agrada, essa é a melhor forma de não chatear quem lhe chateia, nem esperar resposta de quem você não esperava nem lembrar...ou não?! 


Apedeuta e cronista*

 

 


 

 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

SOBRE BORBOLETAS, PAISAGENS E PESSOAS

 

 Jeanne Leocádio e Boanerges Cezário

Uma manhã eu vi uma borboleta pequena no chão do caramanchão, que tem no meu jardim. Ela não conseguia voar. Pensei que estava morrendo e deixei num jarro próximo, pensando em recolhê-la, após ela morrer, para dar a minha filha, que está fazendo um quadro com flores secas. Pensei: a borboletinha vai ficar bonita no quadro!

Voltei horas depois e nada de borboletinha.

O caramanchão fica abaixo da janela do meu quarto. Ao lado dele, plantei um pé de maracujá. Como não deu maracujá, eu ia podar os ramos que estão indo em direção aos galhos dos hibiscos que estão plantados do lado oposto.

Ao podar um ramo, percebi um casulo grudado numa folha. Não podei mais!

Aquela borboleta foi a primeira de várias.

Já faz alguns dias que a primeira coisa que faço ao acordar é abrir a janela e contemplar várias borboletas voando no jardim.

Isso não tem preço e para mim é presente de Deus.

Eu digo meu pé de maracujá não dá maracujá, mas dá borboletas.

 

Moral da História: para evitar preconceitos, paisagem e pessoas devem ser observadas com calma, antes de serem podadas perdendo sua essência...ou não!?



Autores*

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

O BREGA SEMPRE FOI CHIQUE (o contrário também)


Boanerges Cezário*

Certa vez, há dez mil anos atrás,  estava na minha casa numa dessas dominicais reuniões, onde rolava violão, churrasco e papos culturais.

Numa dessas assuntagens, começamos  a falar sobre o dialético  debate brega x chique.

Eis que terminamos falando sobre as músicas do compositor e cantor  Fernando Mendes.

Todas as gerações,  talvez até a Z, curtiram as belas canções de Fernando.

No entanto,  alguns  intelectuais  ressentidos queriam sempre classificar como brega compositores tipo FM.

Na época eu até tocava violão, e nesse dito churrasco, terminei por cantar "voce nao me ensinou a te esquecer" e ainda profetizei  que um dia alguém cult iria fazer as músicas de Fernando serem consideradas chiques...

Tempo passou, muito mesmo, o cinema bombou nas telas LISBELA E O PRISIONEIRO...que aconteceu então?

Todos devem se lembrar que Caetano  cantou  a referida música para o referido filme...aí  o sucesso explodiu, dessa vez para o lado "chique", pois já explodira nos anos 70 no lado "brega" na voz de Fernando Mendes..

Caetano sempre teve essa marca, uma verdadeira mão  de fada (ou mão  de mago) para folhear de ouro onde ele põe  a mão...

Enfim, foi bom para todos ver um sucesso daquele ser cantado pelo Brasil "chique e brega", ficando provado que tais conceitos dependem apenas do ponto de vista determinado pela vista de um ponto...ou nao!?


Autor*

sábado, 4 de outubro de 2025

JÁ DIZIA RITA LEE "POR ISSO NÃO PROVOQUE, É COR DE ROSA CHOQUE"

 Boanerges Cezário*

Encontrei hoje no meio da feira com Zé Bidu, filósofo potiguar, que mora num rincão de terra daqueles onde só vai quem tem negócio e como lá não tem nada pra negócio, ninguém também por ali aparece.

Ele diz que como não tem negócio fica mesmo no ócio.

Aproveitei a prosa e contei uma anedota de um amigo meu, cujo resumo dizia que:

“Barata teme o rato, que teme o gato, que tem o cachorro, que teme o homem, que teme a mulher, que teme a barata”

 

Ele riu e começou a falar:

- Esse seu amigo é um rapaz inteligente. Né aquele que já  passou em não sei quantos concursos?

 

Respondi : - sim, é ele, por que?

 

ZB continuou: -ele acabou de publicar a receita para o casamento ideal...

 

Então, indaguei: 

- por que,  zé bidu?

 

Ele coçou a barba, olhou para cima, parou por uns minutos, olhou para mim, pegou o boné, saiu caminhando, olhou para cima de novo e devolveu uma pergunta:

 

- Já pensou qual seria seu papel no mundo, se a mulher não tivesse medo de barata?

 

Eu ainda quis perguntar mais coisas, mas ele esticou  o braço como quase dizendo "por hoje é só..."

 

Pegou descendo a ladeira e sumiu na poeira das ruas...

 

Moral da história: nao subestime uma mulher, a sandália tem o mesmo efeito para baratas e baratos...ou nao!?


Escritor*

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

MAIS UM GOL QUE PELÉ QUERIA TER FEITO


 

Boanerges Cezário*

Dia desses, recebi uma mensagem de um velho amigo meu, do tempo em que a gente se encontrava para fazer churrasco, tomar umas cervejas e jogar futebol.

Digo isso porque hoje bateu a mania de se falar muito ao celular e redes, mas encontros presenciais são poucos.

Bem, mas lá pelos idos de 1993, criamos um time que batizamos de 16 de Natal. O nome foi em homenagem à partida da estréia, cujo placar que tomamos foi 16 x !, numa memorável pelada no campo da Caixa Econômica Federal em Pium(RN).

 

A mensagem era assim:

 

 “ meu velho, estou escrevendo um livro e estou precisando de informações sobre o tempo do nosso 16 de Natal

 Gostaria de saber se vossa senhoria se encontrava no jogo que fizemos no MACHADÃO no qual fiz um gol do meio de campo

 Já falei com Roberto (um atleta do time),  que se lembra do gol , mas tem alguns detalhes que gostaria de saber, caso você esteve lá e lembrar de alguma coisa me contacte por aqui.’’

 

E continuou...

 

“Aderson, vulgo Neneto lembra de nada

 Jussier não estava.

Exemplo de detalhes: Ano, mês, de preferência dia, posso omitir, mas seria legal situar

 Lembro que foi logo no início de um dos tempos, ou no início do jogo ou no início do segundo tempo

Não me lembro qual foi o placar

Se não me engano viramos o jogo pra 2 x1

 Eu fiz mais um gol e me lembro como, mas machuquei   o tornozelo e sai de campo, tendo ido pro medico botado bota de gesso e em seguida,  ido pra cerveja

 Eu escrevi já alguma coisa baseado nessas informações

 Lembro que a bola quem deu o passe foi Sérgio

Reclamou enquanto a bola caía

 Mas depois claro ficou bem feliz”

 

 

No que respondi assim:

 

Amigo, eu não estava jogando nesse dia, mas vejo que pelo que você falou, Roberto lembra do jogo, mas não dos detalhes; você não sabe se foi no início do jogo, nem em qual tempo; também não lembra do placar, mas tem uma vaga lembrança, que viramos o jogo para 2 x 1. Se viramos o jogo e o primeiro gol foi seu, então você foi o artilheiro da rodada, o que já é uma boa lembrança. Além do mais, machucou o tornozelo, botou bota e logo em seguida foi tomar cerveja, que era sempre o terceiro tempo...Enfim, nosso querido Sérgio (precocemente falecido) deu o passe , mas como não está entre nós, também não poderá dizer nada...

 

Então, você acabou de contar uma bela história que não participei, mas fez me lembrar do tempo bom que a gente se encontrava e mantinha laços de amizade, longe, muito longe, de redes sociais...

 

O interessante ai, não sei você observou, é que a diferença do seu lance, que foi um gol marcado do meio campo, para o de Pelé é que o seu ninguém se lembra dos detalhes, mas aconteceu, mas sem celular na época , não teve como filmar. Já o do Rei Pelé, todo mundo viu, mas o gol não aconteceu.

 

 

 

Moral da História: não há detalhes, nem imagem do seu gol, mas vale mais do que o quase gol do Rei Pelé...ou não!?



Cronista*

 

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

A VERDADE SOBRE O DIA 7


Boanerges*

Sábado passado, eu estava no mercado público, no meio da feira da minha cidade,  quando encontrei zé Bidu.
Antes de dar bom dia, pediu preu pagar um prato de cuscuz com ovo com um copo de café forte, daquela com a borra no fundo ...

Na mesa ao lado, uma pessoa falava sobre o dia 7 de setembro, pois é comum na cidade ter o desfile das escolas lembrando a data.
A população vai às ruas assistir, vira um evento de lazer para a família.
Zé Bidu ouvindo, disse:

_ a história do dia 7, meu avô me contou um dia...

Eu, curioso, pedi para ele contar o que sabia. Então continuou o zé...

_ bem, estava d. Pedro saindo da casa de uma de suas namoradas e logo em seguida parou no bar do Tião,.conhecido jornalista da época, que juntava gente na mesa para conversas longas sobre narrativas longas de acontecimentos familiares ou não da população...(Vocês já sabem o que rolava nessas conversas, né?)

Eu já tava boquiaberto, nem falei e pedi para zé não parar de falar...

_ veja bem, d. Pedro pediu um prato de buchada de bode, um limão pra cortar a gordura, uma garrafa de cachaça braba e, junto com a tropa de soldados, comeu tudo, beberam a uca toda e lamberam os dedos...

_ por favor, continue, zé, pedi

_ como a esposa dele estava aflita esperando no palácio, ele , mesmo com o sol escaldante, partiu para São Cristóvão...mas a digestão da buchada não foi boa... Rapidamente, o monarca pegou uma caneta de pena de pavão e rabiscou algumas palavras para acalmar a esposa, pedindo então para um soldado daqueles levar a mensagem até a prendada esposa...

Zé Bidu então passou a mão no rosto , franziu a testa e disse agora vem a parte complicada...
Eu disse, continue, homi, já tá todo mundo no mercado esperando você terminar...

_ então, o inesperado quase previsto aconteceu, o lorde imperador passou a mão na barriga e uma carga de flatulência descontrolada começou a estourar...quando ele viu que não ia aguentar, pediu ao ordenança que arranjasse papel higiênico para utilizar após o serviço da obra imperial...

Perguntei logo:

_ conseguiram papel?

Zé respondeu:

_ que nada, o guarda trouxe uns sabugos de milho para o imperador usar... O imperador enrubecido, e irado e já com as roupas amareladas da cintura para baixo, levantou a espada e esbravejou 

ESSA INTENDÊNCIA É DE MORTE 

Foi então que o chefe da guarda, então com mais de 60 anos, que havia perdido parte da audição, entendeu INDEPENDÊNCIA ao invés de INTENDÊNCIA...
Então, vocês já sabem o que a tropa repetiu, né?

 INDEPENDENCIA OU MORTE

ao invés de

ESSA INTENDÊNCIA É DE MORTE

E essa, senhoras leitoras e senhores leitores, foi a verdadeira história do dia 7.

Moral da história: sempre que puder, visite seu fonoaudiólogo, para não trocar palavras e terminar em merda...ou não?


Humorista*