quinta-feira, 9 de julho de 2026

COPA OU COZINHA?


Boanerges Cezário*

Digo que o Brasil tem chance de evoluir sempre para ser o maior país do mundo em termos de progresso econômico. 

Independentemente de lado político,  pois quando o povo quer e gosta de  alguma coisa, tudo se transforma e se realiza em projetos grandes com resultados. 

A gente tem terras raras, café,  soja, milho,  pecuária,  petróleo,  biodiversidade e...ah, entre varios temos a paixao nacional,  o futebol.


Acabamos de perder a chance de conseguir o hexa, mas ja estamos falando em 2030, se Anceloti continua, se Neymar vai ficar no grupo. 

Bruno Guimarães,  comovido, puxou o peso para os ombros, enfim, o brasileiro ê apaixonado e discute futebol.

Devo dizer que até  quem nao entende, opina e na unanimidade, pelo sim e pelo não,  talvez seja um dos poucos assuntos que os 215 milhões falam. 

E sobre Educação,  alguém  fala?

Esse é um dos itens que o brasileiro não costuma conversar, muito embora os índices  nao sejam muito bons. 

O nicho de escolas privadas capricha nas exigências,  algumas escolas públicas e universidades também,  fazendo com que a qualidade seja reconhecida aqui e até  fora do país, quando comparados de formas isoladas. 

Mas, enfim, o que quero expor aqui na verdade é sobre o amor que o Brasileiro tem mesmo para o futebol.

Reconhecidamente um seleiro de estrelas, mas perdemos mais uma vez a chance de chegar ao hexa.

Isso faz parte, mas voltando ao assunto chave para o Brasil, já pensou se o Brasileiro amasse a educação  como ama o futebol?

Eua e China,  por exemplo, tem seleções medíocres,  mas o progresso  desses países é indiscutível.

O que torna esses 2 países tão fortes , parecidos em riquezas e porte com o Brasil, mas um deles, o nosso, não caminha com foco a um desenvolvimento com bases sólidas?

Há diversos motivos, mas o maior deles , acredito que seja a falta de paixão e obsessão pela educação .

Se o brasileiro tivesse o mesmo amor pela educação como o que ele tem pelo futebol,  a gente estaria num patamar bem mais alto no ranking de desenvolvimento. 

Noruega, Inglaterra, Japao, França, Espanha, por exemplo, esses podem ser apaixonados de verdade pelo futebol, pois já cumpriram as bases da economia, onde o povo já pode luxar e, sim, futebol é luxo.

Enquanto o brasileiro pensa em futebol e não tem obsessão  sobre educação,  a seleção estará  sempre buscando o hexa e a população  carente do básico da educação,  que é saber ler de verdade e fazer contas básicas. 


Moral da estória: com esse futebol de COPA, a seleção  deveria voltar pra COZINHA e aprender a receita básica  de como jogar com força e vontade, assim como jogam Noruega, Marrocos, França,  Alemanha, Inglaterra, Argentina e CABO VERDE...ou não!?


Cronista

quinta-feira, 7 de maio de 2026

MÃE, MAIOR PALAVRA DA LÍNGUA PORTUGUESA

 


Boanerges Cezário*

 

 

 

                Os tempos mudaram muito. Brincadeiras de infância na rua, no colégio, que hoje certamente são desconhecidas pelas crianças que vão às escolas, pouca gente se lembra, afinal de contas o relógio do tempo e a ampulheta do seu passar não param.

                Mas me veio uma lembrança das aulas de português onde ganhava um ponto na nota quem pronunciasse corretamente a maior palavra registrada em dicionários da língua portuguesa na época.

                A palavra era INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE, que tinha 27 letras.

                Mas depois surgiu mais uma, ANTICONSTITUCIONALISSIMAMENTE, que tinha 29 letras.

                Mal sabia eu que um dia iria trabalhar num local onde se defendia a base daquelas palavras. Fui trabalhar no Poder Judiciário, onde a CONSTITUIÇÃO é defendida diariamente para que o cidadão exerça seus direitos e cumpra seus deveres.

                Sei que,  enfim, um dia surgiu uma palavra maior que as que falei acima, criada pela ciência médica.

Essa palavra era

PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO.

Claro que contei a quantidade das letras formadoras, que somam 46, dezenove a mais que as que falei no início do texto, que eram as maiores no meu tempo...

A gigantesca palavra, segundo fontes gabaritadas,  refere-se a alguém ou algo que foi afetado por uma doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas muito finas (pneumoconiose).

                Juntinho com ela na quantidade de letras, anda a

PARACLOROBENZILPIRROLIDINONILMETILBENZIMIDAZOL

 

Essa, tem 43 letras, e é  um princípio ativo de alguns medicamentos.

Enfim, certa vez eu estava conversando com Zé Bidu, um filósofo pouco conhecido no mundo acadêmico, mas que tem sempre uma boa conversa com grandes tiradas, que resumem tudo em pequenas frases e perguntas, deixando o ouvinte abismado com tamanha objetividade.

Perguntei a ele por que será que a palavra MÃE é tão pequena e as de Medicina  e das Ciências Jurídicas são tão grandes?

Ele olhou pro firmamento, ficou por alguns minutos calado e assim respondeu:

 

_ Olhe, seu moço, quando a gente tá doente na infância e até na fase adulta, mal a gente fala , mas chamar pela MÃE é mais fácil e ela aparece num instante para cuidar da gente...

Mas aí perguntei:

_ Mas Zé, a palavra PAI também é fácil de falar...

Ele retrucou:

_ Certo, mas quando você chama pelo seu PAI, ele rapidamente responde CHAME SUA MÃE...inclusive ele, o PAI, também recorre ao mesmo chamado quando enfermo está...

E continuou:

_ A Medicina criou palavras grandes para resolver o prolongamento da vida, o Direito criou grandes palavras para resguardar direitos, todas com mais de vinte letras...mas quem resolve mesmo problemas em horas difíceis é uma palavra com apenas três letras...

Moral da Estória: MÃE, TRÊS LETRAS QUE VALEM MILHÕES!

 

 

Cronista*

 

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

SOBRE CORNOS E PORTEIRAS ABERTAS

 

Boanerges Cezário*

 

O tempo passou como tem de passar e sei que um dia desses me aposentei.

A princípio, os choques.

Amizades tipo folha somem, algumas poucas de verdade ficam.

Mas la nave va e eu terminei voltando a cuidar do sítio dos meus pais, numa tentativa de ficar mais perto da natureza, fugindo um pouco da poluição, barulho de carros, de gente mal  educada e otras cositas más

Num sítio, ao lado do que cuido, mora um filósofo conhecido na região do agreste potiguar, chamado Zé Bidu.

Ele é muito experiente e daqui para frente será meu vizinho até que a última chamada aconteça.

Sempre pergunto coisas a ele e há pouco tempo perguntei como ele enfrentava a tormentosa luta de porteiras abertas, pois o pessoal utiliza a permissão de passagem, mas não colabora, deixando-as abertas .

Hoje pela manhã, ele chegou no alpendre e me disse

 Assim:

_ compadre, acho que achei uma solução para que o pessoal abra e feche as porteiras

Fiquei curioso e perguntei:

- Pois me diga essa novidade, quero importar ela para cá, pois está ficando insuportável, até porque o gado solto  pegando porteira aberta vai longe...

Ele falou assim:

_ tudo que você precisa fazer é uma placa para quem passar ler e lembrar de fechar quando abrir a porteira...

 

Então falei: _ Zé, já tenho uma placa dessa, onde escrevi MANTENHA A PORTEIRA FECHADA!

Ele disse: _ eis o problema, o aviso está errado e assim eles nunca irão respeitar,   pois os que sabem ler são mal educados.

Curioso como sempre, perguntei: _ como seria o aviso ideal da placa para a porteira?

Ele pegou o boné, acendeu o velho cigarro de palha e ditou o aviso:

 

SE VOCÊ É CORNO, DEIXE A PORTEIRA ABERTA

 

Indaguei ainda dele perguntando se havia muito corno na região, ele respondeu assim:

 

_ disso não sei, mas quem for não deixará a porteira aberta para ninguém desconfiar, já quem não for, também vai fechar para não correr perigo da praga do aviso pegar.

E assim, o octogenário filósofo saiu devagar e rindo muito...

 

Moral da Estória: a regra é clara, Arnaldo, se encontrar porteira aberta, deixe aberta, se encontrar fechada, deixe fechada.


Cronista*

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

SOBRE CHIFRES, CORNAGEM E CELULARES ( OU A CULPA É DA PRIVATIZAÇÃO DA TELEBRAS)

 

 


 Boanerges Cezário*

A tecnologia é um dos fenômenos que crescem diretamente proporcional ao desenvolvimento do homem ou da burrice também, dependendo do ponto de vista que se observa a coisa.

Mas hoje vou puxar pela memória, era o ano de 1978 e eu residia no Tirol, morava num quarteirão perto ali da vila militar.

Era um tempo engraçado, a economia tinha muita coisa estatal e a telefonia era uma delas.

Meu pai era um cara muito visionário e antes de comprar um carro, comprou um telefone, caríssimo e raro na época. Telefone era um negócio que a gente costumava ver nas novelas ou na casa dos “ricos”.

Lembro que no quarteirão todo mundo possuía carro, mas não tinha telefone e a gente tinha telefone, mas não tinha carro ou um ou outro...

Acontece que todo mundo pedia um favorzinho para ligar, às vezes tinha até fila no jardim para fazer uma chamadinha...

Às vezes também a gente recebia recados pra chamar alguém, deixar mensagem, era um furdunço e tudo isso grátis, a conta inclusive vinha alta com os famosos pulsos em excesso, mas ninguém ajudava a pagar...

Certa vez, uma “cliente” nova apareceu, já apresentada por outra, para fazer uma ligação para “um amigo”. Antes dela chegar, a própria amiga que a apresentara avisou que não facilitasse a ligação, pois “se o marido dela descobrisse ia dar confusão”.

Minha mãe, diante da tenebrosa conversa, resolveu indeferir o pedido da nova vizinha que pedia uma ligação. Mamãe, muito esperta, disse que o telefone estava com defeito...

Depois de  algum tempo, minha mãe perguntou à amiga da referida moça que apareceu para ligar sobre  qual o motivo dela pedir para telefonar lá na nossa casa, tendo em vista que na casa dela tinha telefone, ou seja, de 96 casas do quarteirão só duas casas possuíam telefone, a nossa e a casa dessa referida jovem, que apareceu para ligar, para um amigo, do telefone lá de casa.

A vizinha riu e disse:

_ é que o marido dela descobriu que ela ligava para o amante e colocou um cadeado no telefone para ela não discar mais, ou seja, o telefone tinha um discador que com o cadeado ninguém conseguia ligar...

 

Então minha mãe e a vizinha denunciante da  bronca caíram na gargalhada e ali se evitou, talvez,  um grande problema tipo um feminicídio ou um divórcio...

Hoje fico pensando que com as redes sociais, celulares sem cadeados e cada um com seu aparelho celular como fica essa vigilância, hein?

 

Moral da Estória: a culpa do aumento da cornagem  e chifragem em geral foi por causa da privatização da Telebras, pois com telefones antigos bastava um cadeado para resolver o problema...ou não?!



Humorista*

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

SE AURORA FOSSE SINCERA (ou a indignação e revolta das IAIÁs)


Boanerges Cezário*


Fazia tempo que eu tentava escrever um texto baseado em histórias acontecidas numa cozinha humana, influenciada por uma IA.

Por acaso virtual, um amigo meu anda ensaiando receitas para as refeições da casa dele “dialogando” com uma inteligência artificial.

Achei legal, pois até a voz da referida IA é feminina e ela se chama AURORA.

Um dia desses, espero  saber como é que ele se sente numa cozinha, ambiente que no passado era exclusivo para mulheres ou afins, mas que hoje, em face da mutação cultural e dos arranjos sociais terminou que  se transformou numa SEARA para todos e não só para AURORAS.

Esse amigo, que tem múltiplas funções , dentre as quais jornalista,  músico, cantor, escritor, compositor, arranjador, empreendedor do mundo virtual,   entre outras expertises, agora enveredou por mais essa aventura, a gastrologia...

Atesto que ele é bastante ocupado, apesar de ter se aposentado há pouco tempo de uma missão que começou há alguns anos.

Sei que será muito difícil colher as narrativas e curiosidades do HOMEM da cozinha ao vivo, tendo em vista que ele reside a mais de 3000 mil quilômetros de onde escrevo esse texto, mas ao mesmo tempo, devido à net e suas redes quase sociais, consigo ver suas artes, e devo acrescentar que desde o colégio ele era uma cara, digamos, ARTEIRO.

Enfim, as redes quase sociais tem disso, coisas de longe ficam parecidas que estão perto e coisas de perto muitas vezes parecem longe, apesar de estar na sua frente ou ao lado...

A dúvida que um dia quero saber dele é  se a presença da AURORA VIRTUAL na cozinha é melhor do que a não presença de uma AURORA REAL dividindo as tarefas, auxiliando ou até mesmo fazendo tudo sozinha.

Contei essa curiosidade ao contador de história  Zé Bidu, que mora no sertão, que é amigo de Zé Bodó, outro contador de história da mesma região para quem lancei uma dúvida diante do espelho trincado da Filosofia: as AURORAS VIRTUAIS seriam o OCASO das AURORAS REAIS? Ou teremos uma revolução das REAIS indignadas por terem sido substituídas? Ou precisaremos chegar ao niilismo alimentar pelo avanço da COZINHA DE UMA PESSOA ,  em alguns casos SEM NINGUÉM, para entendermos que SE FOI PRA DESFAZER POR QUE É QUE FEZ como dizia Vinicius de Morais no COTIDIANO n° 2?

Moral da Estória: ainda bem que tem I FOOD, se não ...FUDEU...ou não?!

Humorista*


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O HOMEM SIMULTÂNEO


Boanerges Cezário

Fazia tempo que eu tentava escrever um livro baseado em histórias acontecidas numa cafeteria, que eu costumo frequentar.

O gestor daquele empreendimento tem múltiplas funções . Gastrólogo, chef, músico, cantor, gestor, atleta, expert em condicionadores de ar,  entre outras funções.

Mas com tantas funções , prometeu ir passando os causos por áudio, já que não arranjava tempo para escrever.

Um dia, encontrei ele numa corrida de rua, prometeu que contaria em breve .

Por diversas vezes, fui à cafeteria e ele prometeu contar.tambem...

Mas realmente, atesto que ele é bastante ocupado.

Enfim, como será muito difícil colher as narrativas e curiosidades do homem da cafeteria, resolvi escrever um livro de outra maneira e a receita já achei...

Vou acompanhar ele diariamente e ver o que faz. Como ele é dinâmico de mais, basta ficar por perto que dá pra escrever um grande volume de histórias...



Moral da história: se a história não vem até você, saia a procura que você acha algumas trocentas...



Escritor*

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

COMPONDO O DESTINO (ou de como amoleceu o valente Sebastião)


Boanerges Cezário*

Dia desses, batendo  papo num daqueles grupos que faço parte, via whatsapp, um velho amigo, noticiava  


"Agora mesmo estou no cardiologista para saber se ainda tenho coração.  Rsrsrsrs......"


Continuou a conversa falando 

"Tô desconfiando que o meu coração se mudou ou ficou muito mole. Rsrsrsrs....."


Por fim, informou o velho amigo que conseguiu uma

  "Declaração de apto para atividades físicas."


Como um goleador cabeceia se  alguém cruzar, falo e digo o que penso, quando alguém instiga, mesmo que às vezes o amigo interlocutor não curta ou não goste...

E assim, argumentei para ele, pois  assim argumentei: 


O amigo de sangue bruto e pistolagem  está na casa dos 60+, realmente vai abrandar o coração. 


O tempo passa e tudo vai , usando suas palavras e termos, amolecendo. 


Na verdade, a maturidade faz-nos parecer mais moles. Mas nao é isso. Com o tempo,  aprendemos mais a ouvir, entender que não  somos  mais donos da verdade e que tudo passa a ser absolutamente  relativo ou relativamente absoluto. 


Vejam, por exemplo, na política tem o senado com pessoas mais maduras para conter os arroubos  dos energizados deputados; no judiciário tem os tribunais, onde os mais antigos refletem sobre decisões dos magistrados mais novos. Quase parecido com os conflitos  de boomers contra geração Z.


Mas, enfim, o tempo chega para clarear ideias e quem ainda tem muito tempo usa o tempo para aprender, se quiser, para um dia amadurecer. 


Moral da estória: consulte  regularmente seu cardiologista e se com o tempo não amolecer, consulte um psiquiatra porque se não,  não correrá a São Silvestre...ou nao!?


Cronista*