Um belo domingo de sol, fui dar
uma caminhada no Parque das Dunas e encontrei uma velha amiga, que quando me
viu foi logo sorrindo e me dando aquele abraço. É uma amiga que apesar de nos
vermos pouco, quando aparece, está sempre sorrindo e com muitas estórias para
contar. Estudamos inglês numa turma onde a professora era nativa e treinávamos
conversação durante os sábados. Terminaram as aulas, ficou a amizade e acabou
que um dia o destino fez a gente trabalhar na mesma empresa.
Deixando a conversa de apresentação,
quando ela me viu foi logo avisando:
- Amigo, tenho uma história para contar para Zé
Bidu....todo dia uma história. Tô ficando igual aquelas "véias" numa
cadeira de balanço contando histórias de trancoso🤣
Falei que ele não estava pela cidade, mas pedi que
narrasse o fato, que eu contaria pra ele. E assim ela contou como o fato foi
por que assim foi o fato:
Lá para as bandas de Mossoró, no início da década
de 60, um irmão da sua avó decepcionado com o fim do casamento foi- se embora
para São Paulo e sumiu na poeira.
Já fazia uns cinco anos que ninguém tinha notícias.
Um irmão do meu pai era seminarista e foi para um seminário em São Paulo.
Passou três anos estudando lá e procurou em vão por esse tio. Getúlio era o
nome do tio desaparecido.
Faltando poucos dias para voltar para Mossoró, o
meu tio foi ao centro de SP e ao correr para pegar o bonde, seu chapéu voou e
um homem se abaixou para pegar.
Meu tio
perdeu o bonde e foi até o homem. O tal homem era seu tio Getúlio!
Por causa
desse encontro, Getúlio voltou para Mossoró para alegria da minha bisavó.
Lembro do
tio Getúlio. Vivia na casa da minha bisavó que ficava nos fundos da casa da
minha avó.
Sempre mal humorado e levemente bêbado. Morreu
quando eu era ainda criança
Minha mãe diz que, quando jovem, ele era beeeem
bonito, mas os anos de desleixo e bebida o modificaram.
A narrativa era dramática e trágica,
mas era uma boa prosa para levar pra Zé Bidu e saber a opinião dele.
Enfim, como ele não usa nem quer ter
celular, esperei chegar o sábado, pois viajo sempre para o sítio e ali sempre
regado a um café de vagem de algaroba, conto as estórias que ouço, pois gosto
de ouvir suas filosofadas.
E essa foi mais uma que contei...
Ele ficou silencioso o tempo todo
escutando a conversa, olhava pra longe, olhava pro chão, balançava a cabeça,
parecia inquieto... mesmo assim perguntei o que ele achava, que assim
respondeu:
- moço, casamento é um sistema que
acaba com o homem e dá vida à mulher se ele for doente de apego.
E continuou...
- o mundo tem bilhões de mulheres a
mais do que homem, mas o maluco cisma com uma...
Riu muito, mas levantou ligeiro e
saiu rápido, olhando para um lado e para outro, mas não quis mais conversa
comigo.
Moral da historia: para ficar sempre bonito,
não case, pois vai morrer bebendo porque não sai ou porque saiu do casamento...😁