quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

SOBRE CHIFRES, CORNAGEM E CELULARES ( OU A CULPA É DA PRIVATIZAÇÃO DA TELEBRAS)

 

 


 Boanerges Cezário*

A tecnologia é um dos fenômenos que crescem diretamente proporcional ao desenvolvimento do homem ou da burrice também, dependendo do ponto de vista que se observa a coisa.

Mas hoje vou puxar pela memória, era o ano de 1978 e eu residia no Tirol, morava num quarteirão perto ali da vila militar.

Era um tempo engraçado, a economia tinha muita coisa estatal e a telefonia era uma delas.

Meu pai era um cara muito visionário e antes de comprar um carro, comprou um telefone, caríssimo e raro na época. Telefone era um negócio que a gente costumava ver nas novelas ou na casa dos “ricos”.

Lembro que no quarteirão todo mundo possuía carro, mas não tinha telefone e a gente tinha telefone, mas não tinha carro ou um ou outro...

Acontece que todo mundo pedia um favorzinho para ligar, às vezes tinha até fila no jardim para fazer uma chamadinha...

Às vezes também a gente recebia recados pra chamar alguém, deixar mensagem, era um furdunço e tudo isso grátis, a conta inclusive vinha alta com os famosos pulsos em excesso, mas ninguém ajudava a pagar...

Certa vez, uma “cliente” nova apareceu, já apresentada por outra, para fazer uma ligação para “um amigo”. Antes dela chegar, a própria amiga que a apresentara avisou que não facilitasse a ligação, pois “se o marido dela descobrisse ia dar confusão”.

Minha mãe, diante da tenebrosa conversa, resolveu indeferir o pedido da nova vizinha que pedia uma ligação. Mamãe, muito esperta, disse que o telefone estava com defeito...

Depois de  algum tempo, minha mãe perguntou à amiga da referida moça que apareceu para ligar sobre  qual o motivo dela pedir para telefonar lá na nossa casa, tendo em vista que na casa dela tinha telefone, ou seja, de 96 casas do quarteirão só duas casas possuíam telefone, a nossa e a casa dessa referida jovem, que apareceu para ligar, para um amigo, do telefone lá de casa.

A vizinha riu e disse:

_ é que o marido dela descobriu que ela ligava para o amante e colocou um cadeado no telefone para ela não discar mais, ou seja, o telefone tinha um discador que com o cadeado ninguém conseguia ligar...

 

Então minha mãe e a vizinha denunciante da  bronca caíram na gargalhada e ali se evitou, talvez,  um grande problema tipo um feminicídio ou um divórcio...

Hoje fico pensando que com as redes sociais, celulares sem cadeados e cada um com seu aparelho celular como fica essa vigilância, hein?

 

Moral da Estória: a culpa do aumento da cornagem  e chifragem em geral foi por causa da privatização da Telebras, pois com telefones antigos bastava um cadeado para resolver o problema...ou não?!



Humorista*

2 comentários:

  1. Era costume, ao ver um orelhão, ir procurar se alguém tinha deixado alguma ficha. E o melhor era achar um orelhão quebrado, q estava fazendo ligação sem precisar das fichas. Melhor do q isso só est crônica de Boanerges, que valeu à pena ler

    ResponderExcluir
  2. Isso mesmo, era um tempo engraçado rsrs

    ResponderExcluir