Boanerges Cezário*
Os
tempos mudaram muito. Brincadeiras de infância na rua, no colégio, que hoje certamente
são desconhecidas pelas crianças que vão às escolas, pouca gente se lembra, afinal
de contas o relógio do tempo e a ampulheta do seu passar não param.
Mas
me veio uma lembrança das aulas de português onde ganhava um ponto na nota quem
pronunciasse corretamente a maior palavra registrada em dicionários da língua
portuguesa na época.
A
palavra era INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE, que tinha 27 letras.
Mas
depois surgiu mais uma, ANTICONSTITUCIONALISSIMAMENTE, que tinha 29 letras.
Mal
sabia eu que um dia iria trabalhar num local onde se defendia a base daquelas
palavras. Fui trabalhar no Poder Judiciário, onde a CONSTITUIÇÃO é defendida
diariamente para que o cidadão exerça seus direitos e cumpra seus deveres.
Sei
que, enfim, um dia surgiu uma palavra
maior que as que falei acima, criada pela ciência médica.
Essa palavra
era
PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO.
Claro que
contei a quantidade das letras formadoras, que somam 46, dezenove a mais que as
que falei no início do texto, que eram as maiores no meu tempo...
A gigantesca
palavra, segundo fontes gabaritadas, refere-se
a alguém ou algo que foi afetado por uma doença pulmonar causada pela
inspiração de cinzas vulcânicas muito finas (pneumoconiose).
Juntinho
com ela na quantidade de letras, anda a
PARACLOROBENZILPIRROLIDINONILMETILBENZIMIDAZOL
Essa, tem 43
letras, e é um princípio ativo de alguns
medicamentos.
Enfim, certa
vez eu estava conversando com Zé Bidu, um filósofo pouco conhecido no mundo
acadêmico, mas que tem sempre uma boa conversa com grandes tiradas, que resumem
tudo em pequenas frases e perguntas, deixando o ouvinte abismado com tamanha
objetividade.
Perguntei a
ele por que será que a palavra MÃE é tão pequena e as de Medicina e das Ciências Jurídicas são tão grandes?
Ele olhou pro
firmamento, ficou por alguns minutos calado e assim respondeu:
_ Olhe, seu
moço, quando a gente tá doente na infância e até na fase adulta, mal a gente
fala , mas chamar pela MÃE é mais fácil e ela aparece num instante para cuidar
da gente...
Mas aí
perguntei:
_ Mas Zé, a palavra
PAI também é fácil de falar...
Ele retrucou:
_ Certo, mas
quando você chama pelo seu PAI, ele rapidamente responde CHAME SUA MÃE...inclusive
ele, o PAI, também recorre ao mesmo chamado quando enfermo está...
E continuou:
_ A Medicina
criou palavras grandes para resolver o prolongamento da vida, o Direito criou grandes
palavras para resguardar direitos, todas com mais de vinte letras...mas quem
resolve mesmo problemas em horas difíceis é uma palavra com apenas três
letras...
Moral da
Estória: MÃE, TRÊS LETRAS QUE VALEM MILHÕES!
Cronista*
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