quinta-feira, 15 de outubro de 2020

terça-feira, 6 de outubro de 2020

AP PANDÊMICO

 Boanerges Cezário*


E nesse apertamento

Onde sempre estou

Nem fobia de claustro enfrento

Não há encontro

Na tv, lamento

 

Em “Home”

não sei  onde moro

Não choro

nem lágrima de cloro

Pode soar feito grilo

Sei não

Pensei em clara

Clara crocodilo 🐊


Amante das Letras*

ARGONAUTAE ( versão em Latim de Os Argonautas)



 



Edmilson Morais*

 


Navis!

Cor meum non tolerat

Tantam tempestatem, laetitiam

Cor meum non quiescit

Diem, signum, cor meum

Portum, non!

 

Navigare necesse

Vivere non est necesse...

 

Navis!

Nox tam pulchro subriso tuo

Laxo, perdito

Horizon, aurora

Risus, arcus aurorae

Portus, nihil!

 

Navigare necesse

Vivere non est necesse

 

Navis!

Currus enitens

Tribulus laxus, strepitus

Dentis mei in vena tua

Sanguis, stagnum, strepitus lentus

Portus, silentium!

 

Navigare necesse

Vivere non est necesse


Licenciado em Letras*

terça-feira, 23 de junho de 2020

A MAQUIAGEM DA MENTIRA (OU O QUE VOCÊ QUER VER!?)







Boanerges Cezário*


O mundo se debruça em diversos dilemas minuto a minuto.
Verdades que parecem mentiras, que parecem verdades. Mentiras que parecem verdades, que parecem mentiras.
Por que escrevo isso? Se leu até aqui, continue. Se não continuar a leitura, problema seu, mas veja o que quero prosear.
Em média, três vezes por semana, levanto às 5h da manhã para correr.
O aplicativo que uso para medir pace, tempo e outras conquistas tem a opção na configuração para otimizar o uso da bateria, economizando energia.
Sem querer, mexi na referida configuração e devo ter esquecido de salvar o que era para estar salvo  e a consequência foi desastrosa.
Em pouco tempo me transformei  em Usain Bolt.
Alguns momentos de fama no grupo de corrida, que participo, fizeram eu estranhar a coisa.
Qual não foi a surpresa, ao atualizar e sincronizar as atividades, vi que a minha performance estava acima da média de corredores de renome mundial.
IIustre leitor(a), se chegou até aqui na leitura é porque gosta de mim ou me acha mais um idiota na rede que quer publicar asneiras, e como  você pode gostar de apreciar textos bizarros vai encarar até o ponto final, eu sei.
Como falei, urdi a ideia a partir de uma falha no aplicativo de corrida que uso.
Meu pace baixou de 7,2 min/Km para 2,8 min/Km
A mentira, nesse caso, foi do aplicativo, mas como é inteligência artificial,  só diz a verdade.
Essa verdade ninguém questionou, pelo contrário, até fui elogiado por muitos.
A verdade, assim, era que o aplicativo mentiu, e feio. Mesmo assim, essa mentira parecida com verdade, ficou, talvez, sendo a verdade para quem tem pressa de curtir e não imaginar quem é o corredor na verdade.
Fico imaginando, se alguém curtiu sabendo que é mentira , como também imagino alguém curtiu achando que é verdade.
De qualquer maneira, o mais interessante seria pensar se é racional curtir o devaneio atlético , pois naquela sincronia, sem sinfonia,  não dá pra saber, sem perguntar, se a verdade é uma verdade que parece mentira ou se a mentira parece mentira, mesmo sendo verdade, a mentira...

Assim, quando publicamos nossas "imagens" nas redes e o Big data minera os dados, estamos diante de uma maquiagem...
Se publico mentiras, a mineração de dados não descobre se são falsas, pelo contrário, nos meus perfis elas passarão por verdadeiras. Mesma coisa se publico verdades
De qualquer maneira, as ferramentas do big data só acharão "verdades", sejam elas verdades que são, na verdade, falsas e verdades que são, na verdade, verdade...ou não!?
Enfim, Descartes criou certa vez um demônio maligno, que tinha o poder de iludi-lo, mesmo que não fosse verdade.
Criei o meu também. Chama-se strava com o apoio das redes sociais...
Seriam, então, as redes sociais em conjunto com o big data os novos salões de beleza?


 Blogger*

sábado, 16 de maio de 2020

O ANO DO ESTRANHAMENTO

 Yunga de Araújo Fernandes*


2020, por que você nos pregou essa peça? Você é tão bonitinho, um número tão redondinho. Você é tão fácil de memorizar, tão atraente para a meninada desenhar. 

2020, você nos traiu!

2020, quantos historiadores, psicólogos, cientistas, cinegrafistas, roteiristas, cronistas ou tantos outros " istas" se debruçarão sobre dados estatísticos para falarem de ti.

2020, quantas bocas sem um pão, quanta gente sem um tostão, quantos empregados sem um patrão, quantos empregadores sem opção.

2020, quantas ruas sem movimento, quanta imposição de distanciamento, quanta gente enclausurada, quantas pessoas reinventadas.

2020, quantos encontros cancelados, quantos abraços não dados, quantos beijos reprimidos, quantos apertos de mão acotovelados.

2020, quantas escolas sem alunos, quantos professores sem giz, quantas mochilas sem costas, quantas cantinas sem lanches.

2020, quantos nascimentos preocupantes, quantas visitas não realizadas, quantos livrinhos não preenchidos, quantas emoções não partilhadas.

2020, quantas crianças sem respostas, quantas festinhas sem convidados, quantos parabéns sem alegria, quantos mágicos sem cartola.

2020, quantos estádios vazios, quantas bandeiras não tremuladas, quantas redes não balançadas, quantas vibrações proibidas.

2020, quantos vôs não decolados, quantas viagens abortadas, quantas paisagens não vistas, quantas selfies não registradas.

2020, quantas máscaras fabricadas, quantos rostos escondidos, quantos batons acobertados, quantos espirros sufocados.

2020, quantos projetos inacabados, quantos sonhos postergados, quantos desafios lançados.

2020, quantos corações agitados, quantos pulmões afetados, quantas mãos compulsivamente lavadas, quanta sanidade comprometida.

2020, quantos profissionais exauridos, quantos hospitais colapsados, quantas escolhas não desejadas, quantos óbitos tristemente registrados, quantas despedidas não permitidas.

2020, pensar em você não tem sido prazeroso, mas se você resolveu assim chegar, estou lutando para a ti me adaptar.




Autora:*


sábado, 25 de abril de 2020

CADA MACACO NO SEU GALHO (INICIAÇÃO À GESTÃO FAGOCITÁRIA )



“Cho, chuá Cada macaco
 no seu galho” Riachão



Boanerges Cezário*

Antes que a turminha politicamente correta venha questionar a expressão acima, peço licença para dizer que retirei-a do site abaixo:
Tem uma música também, feita pelo compositor Riachão, cuja canção ficou na memória de todos, cantada por Caetano e Gil.
Mas por que cá estou a falar da expressão acima?
Porque agora há uma onda espalhada na gestão pública  brasileira de se dar opinião sobre as atribuições, competências e  funções dos outros.
Há um caos evoluindo feito ameba, que se multiplica e se biparte. Há caminhos que se bifurcam, que se bifurcam, que se bifurcam....
Então aquele gestor que se acha mais importante ou sabido, promove a sua fagocitose particular.
Para quem não lembra, em tempos de Enem, é bom lembrar o que é fagocitose:

(...)fagocitose (quando outro ser se aproxima, ela cria com o corpo pseudópodos (pés falsos) que envolve o alimento, levando-o para dentro da ameba onde ocorre o processo digestivo. As partes não aproveitadas são eliminadas.” http://www.suapesquisa.com/mundoanimal/ameba.htm

Ora, se um gestor invade a área do outro dizendo o que deva ser feito, que motivos o levaria a isso?:
01 é uma ação fagocitária, ou seja, vai digerir o outro;
02 é porque acha que pode ficar no lugar do outro;
03 é porque entende que o outro não entende como se faz;
04 é porque o caos se instalou e qualquer opinião vai ajudar


O gestor inteligente se aproveita do talento que desponta ao lado, dá uma força, ensina  caminhos, preparando-o para trilhar caminho novo.
O gerido, candidato a gestor, aproveita os ensinamentos e busca uma nova estrada, não deve ficar medindo forças e querendo aparecer mais que o dono da cadeira da ponta.
Se a situação anterior não for ultrapassada, os problemas de sintonia ficam evidentes e podem trazer reveses à imagem da instituição .
Mas se nenhuma das soluções acima der certo, a instituição será acometida de uma tremenda disbiose intestinal com quadros de diarreia.
Todo cuidado é pouco, daí a importância de procurar um  especialista na matéria, evitando maiores transtornos intestinais corporativos.

Mas se você, caro leitor, tem uma outra opção, qual seria?

Blogger*




domingo, 19 de abril de 2020

DEMOS, DEMÔNIOS, PANDEMIA E PANDEMÔNIOS





Boanerges Cezário*



A atual crise econômica, aliada à da saúde, em face do dramático quadro de crescimento da pandemia provocada pelo corona vírus, leva a plateia do circo Brasil pelejar no dilema pt x bolso , esquerda x direita,  mas vou dizer uma  coisa .

O recente conflito  entre bolso e Mandetta(direita contra direita) evidenciou que a massa sempre está perdida feito manada.

Como técnico, Mandetta  pode estar certo, mas bolso é  contra a linha dele.
Onde Mandetta errou? Ficar  ministro depois da exposição pública do conflito antes, bem antes,  da entrevista no Fantástico.

Então, se Mandetta (de direita) estiver certo  as coisas vão ficar difíceis .

Se bolso tiver certo, não tem problema, vai morrer pouca gente, né?

A banalização da morte como apenas um  numero a mais ou a menos ficou dominante no momento atual.

No mundo de princípios cristãos, que hospeda bolsominions, petistas, gregos e baianos, se morrer um é  muito.

Mas até o mundo da direita está passando por esse conflito: O DEM querendo poupar vidas porque o(s) demônio(s)  quer(em) que morra(m) muita gente.

Prestem atenção, o conflito do momento é também  polarizado entre  Bolsonários e DEM, ou seja, Direita x Direita,  quem te viu, quem te vê ...

Aliás, eu previ em 2018 esse conflito num artigo (http://terrasofia.blogspot.com/2020/03/um-comando-uma-voz-memorias-de-uma.html ), pois aprendi com um militar (meu pai) que vários comandos numa guerra levam a muitas mortes...

E tudo que foi continua sendo e tudo que será talvez não aconteça ou não?!



Blogger*